Press release / Dec. 11, 2019

Carta de 50 organizações da sociedade civil do Brasil, da UE e dos EUA pede aos investidores e bancos internacionais que observem os principais riscos ambientais da compra de ações nas companhias JBS e Marfrig

Carta aberta assinada por 50 organizações da sociedade civil do Brasil, UE e EUA pede aos investidores internacionais que observem a ligação entre alguns dos maiores comerciantes de carne bovina do mundo e o desmatamento na Amazônia.

  • A carta reage a relatos de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderia vender ações de ambas empresas em dezembro ou no início de 2020.
  • A carta é lançada após pronunciamentos públicos de um grupo de investidores internacionais, publicada em setembro, na qual 244 figuras-chave pediram que as empresas expostas ao desmatamento agissem para salvar a Amazônia, após uma onda de incêndios.

Uma nova carta de 50 organizações da sociedade civil de todo o mundo está pedindo aos investidores e bancos que avaliem adequadamente os riscos de serem expostos a desmatamento antes de comprar novas ações da JBS e da Marfrig, que poderão em breve ser colocadas no mercado.

A JBS e a Marfrig, as quais figuram entre os maiores comerciantes de carne do mundo e os principais frigoríficos que operam no Brasil, foram ligadas várias vezes ao desmatamento da Amazônia, que, nos últimos 12 meses, sofreu incêndios e taxas crescentes de desmatamento.A carta é publicada, após relatórios indicarem que o BDNES planeja colocar ações no mercado em dezembro de 2019 ou no início de 2020.A carta destaca várias alegações de ligações da JBS e da Marfrig ao desmatamento. 

Também aponta que uma parcela desconhecida, mas provavelmente significativa, de suas compras de gado na Amazônia, não é auditada para verificar se o gado tem origem em fazendas, cuja área é desmatada. A carta levanta questões sobre como os investidores podem fazer sua devida diligência nas empresas sem essas informações, e garantir que seu financiamento não seja exposto ao desmatamento.

"Nos últimos 12 meses, uma área de floresta equivalente a mais de seis vezes o tamanho de Londres foi destruída, um aumento de 30% em relação ao ano anterior", escrevem os signatários. “Esse aumento alarmante na destruição da Amazônia se intensificou durante o governo Bolsonaro, minando os compromissos e esforços globais para enfrentar a atual crise climática.”

As 50 organizações signatárias da carta também citam reclamações do Ministério Público Federal brasileiro, o qual  afirmou que "nenhuma empresa que compra atualmente na Amazônia pode dizer que sua cadeia de suprimentos é livre de desmatamento".

A carta pede aos investidores e provedores de serviços financeiros que retenham compras adicionais de ações até que possam avaliar com precisão se as empresas estão em conformidade com a lei,  bem como os riscos ambientais, sociais e de governança (ASG).Após a aderência à carta por grupos como Amazon Watch, Global Witness e Greenpeace Brasil, espera-se que mais nomes sejam incorporados nos próximos dias. O conteúdo completo da carta e seus signatários podem ser acessados aqui.

Os signatários não incluem apenas organizações que trabalham com proteção florestal no Brasil e internacionalmente, mas também aqueles que buscam combater o enorme custo humano do desmatamento, incluindo ataques contra defensores e defensoras da terra e do meio ambiente e comunidades indígenas - que são extremamente afetados pelo desmatamento.

Esta carta aberta é lançada após a carta de  244 investidores, publicada em setembro, a qual solicita a empresas expostas a desmatamento que ajam urgentemente para salvar a Amazônia. E esta carta é lançada após uma investigação da Global Witness, a qual revelou que mais de 300 bancos e investidores financiaram seis empresas do agronegócio expostas ao desmatamento na Amazônia brasileira, na Bacia do Congo e em Nova Guiné, no valor de US$ 44 bilhões.

Tanto a JBS quanto a Marfrig refutaram as alegações que os vinculavam ao desmatamento, alegando que existem sistemas que protegem a compra de gado de fazendas onde o desmatamento ocorreu, e que essas compras são verificadas por auditorias independentes. As respostas das empresas na íntegra podem ser acessadas no link abaixo.

Shona Hawkes, consultora de política florestal da Global Witness, disse: 

“Há apenas três meses atrás, os investidores internacionais demonstraram um novo compromisso de usar seu poder para o bem comum - usando sua voz coletiva para pedir o fim da crescente destruição da Amazônia brasileira.

"A possível venda de ações da JBS e da Marfrig - empresas acusadas de múltiplos vínculos com o desmatamento da Amazônia - será o primeiro teste real desse compromisso com os investidores.

"Bancos e financiadores podem ajudar a impedir que o seu financiamento contribua ao desmatamento da Amazônia, ou podem fechar os olhos e contribuir com a sua devastação.”

A porta-voz da ONG Global Witness também alertou os investidores internacionais, interessados na compra de ações da JBS,  sobre possíveis irregularidades na relação financeira do BNDES com a JBS. Em outubro de 2019, a Câmara de Deputados divulgaou o relatório da comissão parlamentar de inquérito  sobre os financiamentos do BNDES de várias empresas, incluindo alegações de irregularidades relacionadas ao financiamento da JBS pelo BNDES entre 2005-2014.

Em declaração feita em 2017 sobre o relacionamento financeiro da JBS com o BNDES, a empresa negou “que tenha sido favorecida pelas operações feitas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio da subsidiária BDNESPar, e que elas foram realizadas de acordo com as regras do mercado de capitais no Brasil.” 

Hawkes também destacou o papel que os governos, particularmente no Reino Unido, França e EUA, desempenham na regulação de seus sistemas financeiros para garantir que os investimentos em projetos que prejudicam o meio ambiente sejam encerrados.

"A due diligence obrigatória é crucial aqui", disse ela, "deve ser implementada por todos financiadores, bancos, investidores e empresas que possam acabar intencionalmente, ou de outra forma, alimentando a destruição ambiental e os abusos dos direitos humanos".

/ ENDS

Contacts

Heather Iqbal, Senior Communications Advisor

[email protected]

+44 (0) 20 7492 5890

Notes to editor:

  • Entrevistas com signatários estão disponíveis mediante solicitação. Por favor enviar e-mail a: [email protected].
  • A carta destaca os riscos conhecidos para os comerciantes de carne bovina que optam por comprar gado da Amazônia. Também destaca a ligacao da JBS e da Marfrig ao desmatamento da Amazônia, e sua incapacidade de cumprir compromissos de zero desmatamento assumidos pela primeira vez em 2009. A carta pode ser encontrada na íntegra aqui.
  • A carta dos 244 investidores mencionada acima e divulgada em setembro de 2019 pode ser encontrada aqui.
  • Em setembro de 2019, a Global Witness lançou uma investigação Money to Burn, que mostrou como mais de 300 bancos e investidores financiaram seis empresas de agronegócio ligadas ao desmatamento da Amazônia brasileira, Nova Guiné e Bacia do Congo. O relatório completo pode ser encontrado aqui.
  • Respostas mais detalhadas da JBS e da Marfrig sobre todas as alegações feitas sobre seus vínculos com o desmatamento podem ser encontradas na íntegra no relatório Money to Burn, enquanto que as respostas da JBS às alegações feitas sobre irregularidades em suas relações financeiras com o BNDES podem ser encontradas na carta aberta.

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