Press Release – 04/11/2005
Será que o retorno de dinheiro angolano espoliado na Suíça significa impunidade para os saqueadores?
21 milhões de dólares em fundos públicos angolanos, bloqueados em bancos suíços durante uma investigação sobre corrupção, retornarão a Angola ao abrigo de um acordo assinado pela Suíça e por Angola, no dia 1 de Novembro último, não obstante os apelos da sociedade civil dos dois países para que o caso não fosse encerrado.
Os fundos foram bloqueados durante uma investigação de lavagem de
dinheiro, sustentada por uma organização criminal através da corrupção
de funcionários públicos estrangeiros, e está relacionada com o
reagendamento da dívida angolana de 5.5 biliões de dólares, contraída
com a Rússia em 1996. Entre 1997 e 2000, um total de cerca de 774
milhões de dólares em receitas petrolíferas angolanas foram pagas e
depositadas numa conta no UBS, pertencente a uma empresa de fachada,
Abalone Investimentos Limitada, estabelecida pelo empresário Pierre
Falcone e pelo seu sócio Arcadi Gaydamak. Apenas 161 milhões desses
fundos foram para uma conta do referido ministério russo das Finanças.
Cerca de 600 milhões foram transferidos para contas pertencentes a
Falcone, Gaydamak e a uma série de empresas misteriosas, com milhões a
acabar em contas privadas de eminentes figuras do funcionalismo público
angolano, incluindo o Presidente José Eduardo dos Santos. (1)
O Procurador Geral de Geneva fez cessar a acção no final do ano de
2004, no pressuposto de que como não havia vítimas ou queixosos,
nenhuma fraude tinha sido cometida, apesar das evidências de
apropriação indevida de milhões de dólares de dinheiros públicos
angolanos. (2) Posteriormente, ignorou os apelos efectuados pelas
organizações da sociedade civil internacionais, angolanas e suíças,
para reabrir o caso. (3)
Aktion Finanzplatz Schweiz (Basle), Déclaration de Berne (Lausanne) e a
Global Witness acreditam que, encerrando o caso, a Suíça está a
assinalar claramente ao mundo que o seu sistema bancário pode ser usado
impunemente para a lavagem de produtos de corrupção estrangeira.
“Congratulamo-nos com o facto dos 21 milhões serem destinados a
projectos humanitários, para ajudar as pessoas mais vulneráveis da
sociedade angolana”, disse Stefan Howald da Aktion Finanzplatz Schweiz.
“Angola é um dos países mais pobres do mundo, apesar da sua vasta
riqueza em petróleo e diamantes, com cidadãos angolanos a viverem com
menos de $2 dólares por dia”. (4)
Angola é também extremamente corrupta, encontrando-se em 133º lugar
numa lista de 145 países, classificados pela Transparência
Internacional. (5)
Sarah Wykes, dinamizadora da campanha da Global Witness comentou:
“Tendo em conta os fundos de dinheiros públicos angolanos depositados
em contas bancárias suíças e considerando os registos elevados de
corrupção, quem garante que o dinheiro será utilizado para auxílio
humanitário? Qualquer repatriamento tem de ser efectuado com completa
transparência; a sociedade civil angolana e internacional tem de ser
envolvida na decisão e forma como o dinheiro vai ser gasto; deverá ser
fomentado um comportamento que promova uma verificação pública
criteriosa, através de um mecanismo de monitorização independente”.
Para mais informações, contactar Stefan Howald (+41 79 814 42 76),
Jean-Claude Huot (+41 21 620 03 08) ou Sarah Wykes (+44 7971 06 4433)
Notas
1. Ver Global Witness, Tempo para a Transparência, Março de 2004,
http://globalwitness.org/reports/index.php?section=oil. Um banqueiro
suíço atestou num relatório que 56 milhões de dólares de uma conta
offshore pertenciam ao presidente Eduardo dos Santos; o relatório
reproduz provas documentais de representantes de um banco luxemburguês,
segundo os quais, os fundos depositados numa conta privada pertenciam
ao “Sr José Eduardo dos Santos – Luanda, Angola.”
2. Artº. 322 do código criminal suíço
2. Corruption active d’agents publics étrangers
Celui qui aura offert, promis ou octroyé un avantage indu à une
personne agissant pour un Etat étranger ou une organisation
internationale en tant que membre d’une autorité judiciaire ou autre,
en tant que fonctionnaire, en tant qu’expert, traducteur ou interprète
commis par une autorité, ou en tant qu’arbitre ou militaire, en faveur
de cette personne ou d’un tiers, pour l’exécution ou l’omission d’un
acte en relation avec son activité officielle et qui soit contraire à
ses devoirs ou dépende de son pouvoir d’appréciation sera puni de la
réclusion pour cinq ans au plus ou de l’emprisonnement.
http://www.admin.ch/ch/f/rs/311_0/a322septies.html
3. Cartas a M. Daniel Zapelli, de 28 de Fevereiro e 13 de Junho de 2005.
4. Entre 177 países, Angola está classificado em 160º lugar pelo Índice
das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano. Ver
http://hdr.undp.org/reports/global/2005/pdf/HDR05_HDI.pdfIRIN, Serviço
de notícias das Nações Unidas, “Angola: legado de guerra, resultados
falhados combinados com segurança em erosão”, 12 de Setembro de 2005,
http://www.irinnews.org/report.asp?ReportID=49134&SelectRegion=Southern_Africa&SelectCountry=ANGOLA
5. Ver Indicadores para a Percepção da Corrupção, por Transparência
Internacional 2005 http://www.icgg.org/corruption.cpi_2005.html
Sarah Wykes
Environmental groups call on French shipping company Delmas to cancel shipment of precious wood from Madagascar
Global Witness and the Environmental Investigation Agency (EIA) today called on French shipping company Delmas to cancel a shipment to China of hundreds of tons of rosewood from the port of Vohémar, in northeastern Madagascar. The campaign groups accuse the company of facilitating the destruction of Madagascar’s last remaining forests caused by vast illegal logging of rosewood.
Open letter to Delmas shipping company raises concerns over rosewood shipments from Madagascar
An open letter from Global Witness and the Environmental Investigation Agency (EIA) to Delmas shipping company expressing grave concerns at its involvement in the transport of timber from Madagascar which has been declared illicit by the Malagasy authorities. The groups accuse Delmas of facilitaitng the destruction Madagascar's remaining rosewood forests through illegal logging.
Link between Angolan president's son-in-law and state oil company raises questions about transparency
The son-in-law of the Angolan president has been nominated to the board of a holding company that owns a third of the Portuguese oil firm Galp Energia, which has investments in Angola. The nomination was made by the State oil company, Sonangol, which is responsible for managing Angola's oil on behalf of its citizens. This arrangement raises concerns about conflicts of interest to which Sonangol has not responded.
DR Congo: ex-rebels take over mineral trade extortion racket
Former rebels from the Congrès national pour la défense du peuple (CNDP) have established mafia-style extortion rackets covering some of the most lucrative tin and tantalum mining areas in the eastern Democratic Republic of Congo (DRC), Global Witness reported today following four weeks of research in the region.
Global Witness concerned at choice of new Ukraine energy minister
Global Witness is concerned that Yuri Boyko, a controversial figure from the murky past of Ukraine’s gas industry, has been put back in effective charge of a key gas supply route from Russia to the European Union.
Landmark oil and mining transparency initiative faces credibility test as key deadline passes
The Extractive Industries Transparency Initiative (EITI), a pioneering initiative to bring more openness to the world's oil and mining industries, faces a major credibility test after 20 out of 22 countries failed to meet a key deadline today.
Global Witness urges Cambodia’s donors to condemn sponsorship of military units by private businesses
Aid donors to Cambodia, including the US, EU, Japan, China and the World Bank, should send a strong message to the government that they will not countenance the bankrolling of Cambodia’s military by private businesses. This call follows the announcement last week by Cambodian Prime Minister Hun Sen of the formation of 42 official partnerships between private businesses and Cambodian military units.
A near miss? Lessons learnt from the allocation of mining licences in the Gola Forest Reserve in Sierra Leone
Between 2005 and 2007, two mining licences were issued in the Gola Forest Reserve in Sierra Leone, even though the area was a proposed national park. This new report identifies weaknesses in Sierra Leone's natural resource governance and attempts to draw lessons for the future.
Parliamentary committee report on libel, privacy and press freedom not strong enough to defend public interest reporting
A report on press standards, privacy and libel makes broadly sensible recommendations but does not go far enough to allay fears that England's laws are a barrier to public-interest campaigning.
Campaigners criticise proposals to define palm oil plantations as forests
The Ecosystems Climate Alliance today criticised the EU and Indonesia for attempting to reclassify palm oil plantations as forests, saying this would be a step backwards in efforts to halt climate change though preventing deforestation.
28 countries accused of facilitating money laundering … but key offenders missing
An international financial crime watchdog has named and shamed countries that are failing to stop dirty money entering the financial system, a move welcomed by Global Witness. However, conspicuously absent are major financial centres and secrecy jurisdictions, many of which also have serious weaknesses in their anti-money laundering regulations.